Contracepção pós-parto: conheça os métodos mais recomendados

Você acabou de ser mãe e percebeu que ainda não está na hora de engravidar novamente! O período em que se encontra, o pós parto, é marcado por uma transição da mulher e da família, que precisam se adaptar à chegada do mais novo membro. Além disso, a mulher está passando por uma série de transformações no corpo, que em breve voltará ao que era antes da gestação.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a (OMS), para enfrentar com saúde e tranquilidade esta fase do ciclo reprodutivo o ideal é  que a mulher tenha o acompanhamento médico de um tocoginecologista e siga suas recomendações.

Intervalos curtos intergestacionais podem aumentar complicações maternas e fetais. Portanto é necessário realizar medidas de planejamento familiar,  uma contracepção no puerpério eficaz para preservar o bem estar materno fetal. O ideal é que o método prescrito seja eficaz e seguro, não interfira na lactação e nem altere o sistema hemostático da mulher. Em mulheres que não estão amamentando o retorno da ovulação tende a ocorrer cerca de 27 dias após o parto. Nas que estão amamentando, porém, o retorno da ovulação pode demorar vários meses.

Esse período estabelecido pela amamentação exclusiva e ausência de menstruação, pode ser considerado como um método contraceptivo natural com efetividade de 98%. Quando se cumpre rigorosamente esses dois princípios, amenorreia durante 6 meses e amamentação exclusiva, a chance de falha desse método varia de 0,2 a 2%, dependendo muitas vezes da qualidade e quantidade da amamentação.

O retorno da ovulação depende de variáveis biológicas maternas, fatores nutricionais, culturais, socioeconômicos, geográficos. Dessa forma, é imprevisível saber sua ocorrência e a duração da “infertilidade”.

Cada vez mais são introduzidos no mercado várias opções contraceptivas com o objetivo de responder às novas exigências, configurando alternativas válidas aos métodos conhecidos.

Deve-se levar em consideração alguns fatores para que seja escolhido o melhor método mais adequado para você. Os fatores que devem ser considerados na avaliação são:

  • Idade
  • Objetivos em termos de planejamento familiar
  • Valores culturais
  • Perfil de saúde
  • Benefícios não-contraceptivos
  • Eficácia contraceptiva e incidência de efeitos colaterais
  • Complicações potenciais
  • Modo de ação dos vários métodos

Os contraceptivos podem ser métodos de barreira, hormonais, definitivos ou outros:

 

Métodos de barreira:

Diafragma: dispositivo reutilizável, não descartável, que deve ser lavado após o uso e guardado. Não tem contra indicação e não protege contra DST’s. Recomendado após 6 meses após o parto; pode ser necessário reajuste devido as mudanças nas dimensões da vagina e do aparelho de sustentação dos órgãos pélvicos. O uso depende da motivação da mulher.

DIU (dispositivo intra-uterino): eficaz, seguro, de longa ação e não interferir na amamentação. Não protege contra DST’s e possui no mercado 2 tipos: sem hormônio, com duração de 3 a 10 anos, e com hormônio que dura até 5 anos. Este é inserido após 6 semanas após parto.

Condom ou preservativo (masculino ou feminino): eficaz, disponível na maioria dos serviços públicos, protege contra uma gestação indesejada e doenças sexualmente transmissíveis (DST’s).

 

 Métodos hormonais:

Contraceptivos orais progesterona: são as minipílulas que devem ser iniciadas após 6 semanas pós parto, quando a produção do leite já estiver bem estabelecida. Normalmente são de uso contínuo e inibem a menstruação.Anticoncepcionais isolados com progesterona representam uma boa opção para anticoncepção no puerpério. Esses tipos de hormônios não interferem na quantidade ou qualidade da lactação, nem no desenvolvimento ou crescimento do recém-nascido, e representam a vantagem de terem pouco ou nenhum efeito sobre o sistema hemostático, não alterando de forma significativa o risco de trombose.

Contraceptivos orais combinados: contém etinilestradiol e um progestogênico, contra indicados nas primeiras 3 semanas devido ao estado de hipercoagulabilidade. Mesmo em mães que não irão amamentar, seja por contra indicação médica ou por opção, os contraceptivos combinados não devem ser prescritos nas primeiras seis semanas pós-parto. Isto porque a associação estroprogestagênica é trombogênica, com risco de trombose venosa e arterial.

Implante: pequeno bastão flexível que é introduzido debaixo da pele do braço sob anestesia local. Possui apenas progesterona e dura cerca de 3 anos. Pode ser inserido 4 semanas após o parto. Não protege contra DST’s.

Injeção de progesterona: pode ser tomada uma por mês ou uma vez a cada 3 meses. Pode ser usada tanto pela mulher que amamenta como pela que não dá o peito. A primeira injeção deve ser tomada 6 semanas após parto, quando a produção do leite já estiver estabelecida.

Durante o período de lactação, a contracepção hormonal tem seu uso limitado. Isso se deve aos efeitos na quantidade e qualidade do leite materno, a transferência desses hormônios para o bebê e a possibilidade de ocorrer alterações no crescimento entre as fases da infância e puberdade.

 

Métodos definitivos (permanente):

Vasectomia (homem): procedimento cirúrgico pequeno, sob anestesia local, onde é cortado os dois ductos que levam os espermatozóides dos testículos para o local onde o esperma fica armazenado, antes da ejaculação. O homem continua tendo ereção e ejaculação, mas o líquido deixa de ter espermatozóides. É necessário realizar espermograma 30 dias após procedimento para verificar sua eficácia.

Laqueadura (mulher): esterilização cirúrgica, altamente eficaz com a intenção de ser permanente, onde são cortadas as tubas uterinas impedindo a passagem do óvulo. Pode ser feita por um pequeno corte (mini laparotomia) ou após a cesariana. A OMS sugere que a laqueadura tubária no pós-parto seja realizada até o sétimo dia do puerpério ou após 42 dias. Entre o sétimo e o 42° dia, o procedimento deve ser postergado, pelo risco de complicações no útero em involução.

Nada substitui a consulta médica! Com uma boa conversa com seu ginecologista, vocês irão definir o melhor método. Ninguém melhor do que ele conhece seu histórico médico e estilo de vida, adequando a anticoncepção da melhor forma possível.

Publicado em 21 de março de 2013 / Atualizado em 9 de junho de 2014

Vieira, C. S., Brito, M. B., & Yazlle, M. eEna H. D. (2008). Contracepção no puerpério. Scielo.

Sociedade Portuguesa de Ginecologia & Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução; (2003). Consenso sobre concepção.

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