Fator Rh positivo e negativo

O fator Rh é um importante antigênio que está presente no sangue, classificando-se como “Rh positivo”; quando está ausente diz-se que o tipo de sangue de um indivíduo é “Rh negativo”. Antigênio é uma molécula biológica capaz de iniciar uma resposta imune estimulando a produção de anticorpos específicos. Não é “reconhecido” pelo sistema imunológico como sendo do corpo, podendo ser uma bactéria ou um fragmento dela, um vírus ou outra substância. Os antigênios são, habitualmente, moléculas complexas e contêm, na sua maioria, proteínas, polissacarídeos ou lipossacarídeos na sua constituição.

© Choramingas.pt

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Para determinar o Rh, junta-se uma solução com anticorpos Rh negativa, a uma gota de sangue de uma pessoa em questão. Se se verificar aglutinação das hemácias (reação específica em que cada anticorpo reage com o seu correspondente antigênio), a pessoa tem “Rh positivo” e se não acontecer essa reação terá “Rh negativo”.

Assim, distinguem-se 8 grupos sanguíneos: O Rh+, O Rh-, A Rh- , A Rh+, B Rh+, B Rh-, AB Rh+, AB Rh-.

Quando há necessidade de doar sangue, cada pessoa só pode dar ou receber um tipo de sangue específico. É considerado dador universal (doa sangue a qualquer outra pessoa) o grupo O Rh+ e receptor universal (pode receber de qualquer pessoa) o grupo AB Rh+. Se acontecer um erro de transfusão podem ocorrer reações que provocam a morte.

Todas as pessoas deveriam ter essa informação para determinar qual o tipo de sangue será necessário numa eventual transfusão, e para prevenir que um bebê adquira uma doença específica, por incompatibilidade do Rh, chamada Doença Hemolítica Perinatal (DHPN).

Quando os pais são ambos Rh- não é geneticamente possível que o bebê seja Rh+ pois o risco de produzir anticorpos não existe. Se uma mulher grávida for Rh- e o companheiro Rh+ podem gerar um filho Rh+.

O primeiro filho apresenta menos riscos de desenvolver a doença porque a mãe Rh- ainda não foi sensibilizada pelos anticorpos Rh. No entanto, numa segunda gravidez, o sangue Rh+ do feto poderá misturar-se com o da mãe, estimulando nela a produção de anticorpos Rh que irão destruir as células do bebê podendo, nesse caso, provocar anemia, icterícia, paralisia cerebral, insuficiência cardíaca, entre outras, e em casos extremos até levar a morte.

Portanto, a primeira atitude é a pesquisa de anticorpos anti-Rh através do teste Coombs indireto, no período pré-natal, nas mães Rh- e cujo companheiro é Rh+ ou que tenha recebido uma transfusão de sangue inadequado.

O exame deve ser feito sistematicamente para verificar a presença de anticorpos anti-Rh. Se estiverem presentes, a mulher precisa de tomar uma dose de 300mg de gamaglobulina anti-Rh, um concentrado de anticorpos que combate os antigênios Rh.

Segundo a Direção Geral da Saúde “os estudos existentes na literatura, são unânimes em considerar que a administração de imunoglobulina anti D às 28 semanas de gestação a mulher Rh negativo, é uma intervenção eficaz na prevenção da DHPN.”

Assim, será administrada uma injeção intramuscular às 28 semanas de gestação a todas as grávidas não sensibilizadas. Depois da sua administração, não é necessário fazer o teste de Coombs indireto porque será sempre positivo.

Há muitas outras indicações estabelecidas para a administração de imunoglobulina anti D em mulheres Rh- , das quais destacam-se:

  • Pós-parto com recém-nascido Rh+ antes das 72 horas;
  • Aborto espontâneo completo ou qualquer tipo desde que necessite de uma curetagem;
  • Acidente hemorrágico da segunda metade da gravidez, como descolamento da placenta ou placenta prévia;
  • Técnicas invasivas de diagnóstico (amniocentese, biópsia) ou administração de terapêutica fetal;
  • Cirurgia ou traumatismo abdominal;
  • Morte fetal.

Quando a imunoglobulina for administrada previamente a profilaxia deve ser repetida 12 semanas após a primeira administração, não sendo necessário administrar às 28 semanas de gestação. Os anticorpos da imunoglobulina destroem as células Rh+ do feto, a mãe não produzirá anticorpos Rh e assim, na gestação seguinte, o futuro bebê não desenvolverá a doença.

Se o bebê nascer com a DHPN, o seu sangue terá que ser substituído, através de uma transfusão de sangue negativo, que não será destruído pelos anticorpos anti Rh da mãe que passaram através da placenta. Assim, não haverá mais anticorpos anti-Rh da mãe no seu sangue. É importante que esta situação seja diagnosticada para que seja efetuado o tratamento para evitar complicações para o bebé.

Qualquer que seja a situação é importante que siga sempre as orientações do seu médico.

Publicado em 22 de maio de 2014 / Atualizado em 23 de maio de 2014

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