Sexualidade no pós-parto

Depois do nascimento do bebê a sexualidade do casal sofre algumas mudanças e ganha algumas particularidades deste período. Nessa fase a mulher está amamentando e se adaptando às mudanças do seu corpo, além de ter de dedicar mais tempo e cuidados ao recém-nascido. Com todas essas mudanças, fica claro que o comportamento sexual do casal também passará por modificações e os dois precisarão se adaptar a todas as situações.

A alteração emocional é um dos fatores que mais pesa na organização da nova vida do casal. Tanto a mulher quando o homem podem se sentir medo, ansiedade e dúvidas, muitas dúvidas em relação à maternidade.  Ao contrário do homem, a mulher encara o nascimento do filho de forma mais presente e transfere para ele todas as suas expectativas e atenção. O que acontece nessa situação é que o parceiro acaba ficando de lado e pode se sentir deslocado e perdido no relacionamento.

Voltando à questão da sexualidade, muitas mudanças no próprio corpo da mulher dificultam o relacionamento sexual com o marido durante o puerpério, ou pós-parto, que dura até os 6 meses após o nascimento do bebê. Além da barriga flácida e do peso acima do normal, as mamas ficam sensíveis,  a vagina fica mais seca e com pouca lubrificação. Durante a amamentação também há redução na produção do estrogênio, hormônio que interfere negativamente na sexualidade.

Como dito anteriormente, alguns fatores emocionais também podem gerar bloqueios sexuais no puérperio. Confira abaixo alguns deles:

Marido e mulher mudam suas visões em relação ao convívio da família. Na visão do marido, o novo papel de mãe da mulher se confunde um pouco com o papel de esposa. Já a mulher sente dificuldades de conciliar os papéis de mulher, mãe e profissional e ainda ter tempo para o marido.

Na teoria a vida sexual do casal deveria voltar o que era antes da gravidez aproximadamente um ano após o parto. O que acontece, infelizmente, é que todos os fatores já citados acima aliados à dificuldade dos casais de administrar crises acabam prejudicando o relacionamento sexual e conjugal. Assim, o que deveria ser um período transitório acaba durando mais que o previsto e se torna um problema para o casal. Quando isso acontece os pais podem precisar de ajuda especializada e aderirem à uma terapia.

Publicado em 8 de agosto de 2014

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